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O outro lado da história

Por: Bruna Caroline Dias Diogo, 1ºano

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que os olhos vêem e o coração sente”. Foi essa a frase dita a Vilela quando este começou a desconfiar do comportamento de sua bela mulher.


Tudo começou quando a mãe de Camilo, amigo de infância, veio a falecer e Vilela ofereceu-se para cuidar do enterro e de todas as celebrações ao redor do ocorrido. Com isso, a convivência entre os dois rapazes e a formosa Rita tornou-se ainda mais comum e a amizade, cada vez maior.


Com o tempo Camilo e Rita, esposa de Vilela, ficaram íntimos e o amor florescia às escondidas. O rico advogado foi surpreendido por estranhas atitudes, como sorrisos apaixonados e suspiros esperançosos lançados pela mulher e um olhar frio e amedrontado dizendo mais do que mil palavras para si.


Vilela tentava esquecer, ou pelo menos ignorar a situação. Não! Era impossível! Seus sonhos pareciam o mar em dia de tempestade, ele não se focava mais no trabalho e o dia parecia estar encoberto por nuvens plúmbeas. Vilela precisava saber o motivo de tal felicidade exalada por Rita, felicidade trouxe expectativa e expectativa a ponta de um mistério.


Ele contratou o melhor detetive da cidade do Rio de Janeiro, um senhor de idade que parecia uma sombra invisível. Durante dias este seguiu Rita por todo lugar, conversou com todos que a mulher falava e descobriu provas do crime cometido pela esposa de Vilela.


Todas as suspeitas foram constatadas quando Camilo recebeu uma carta anônima mandada pelo detetive, revelando que a aventura era sabida por todos. As visitas à casa de Vilela tornaram-se raras, ele fugia dos momentos com sua amada.


Rita, sem saber o motivo do abandono, mudara seu humor novamente: andava cabisbaixa, com lágrimas no olhar e não conseguia mais prestar atenção a nenhuma palavra, da mesma forma não falava, abria a boca, mas o som não saía. Em contrapartida, Vilela esbanjava uma alegria diferente, um sentimento ausente há muitos meses em sua vida. Sentia como se os papéis da história houvessem sido trocados. Agora quem sofria era Rita, a qual esta provando o seu próprio veneno: estava sendo enganada.


Mas ainda assim não era o suficiente, ele precisava ir mais fundo em sua vingança. Não podia se contentar em simplesmente fazer sofrer a mulher que o traiu com seu melhor amigo. Queria lavar sua honra, e foi assim que tramou o plano final desta história.


Camilo recebeu um bilhete escrito às pressas as com letras trêmulas de Vilela, no qual dizia: “Vem já à nossa casa, preciso falar-te sem demora”. O remetente queria mostrar urgência e desespero com aquele pequeno comunicado. Além disso, sentia necessidade de garantir que o pérfido apareceria.Vilela cuidou minuciosamente dos detalhes, desde o tílburi usado na locomoção de Camilo, até o estranho acidente com a carroça exatamente na rua da cartomante na qual o detetive afirmou ter visto Rita consultar a cartomante.


Conhecendo muito bem seu amigo, ele sabia que Camilo seria vencido pela curiosidade de dar uma escapada e mergulhar na penumbra do comércio sombrio. Por isso, Vilela também garantiu que o traidor saísse da cartomante com a alma lavada, sem medo de seguir viagem ao seu destino final.


Quando a campainha tocou, o coração de Vilela disparou.Era chegada a hora de concluir o plano e encerrar sua vingança. Em poucos minutos, as duas pessoas que fizeram parte de sua vida durante tantos anos, encontravam-se estendidas no chão envoltas por uma mancha vermelha que tomava conta da rica sala de estar.

Colégrio Ábaco
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