
Gustavo Borges
Auditório lotado e pais ansiosos. Esse foi o clima que o atleta Gustavo Borges encontrou durante palestra aos pais no dia 4 de junho no Ábaco. O evento encerrou o Ciclo de Palestras para Pais do primeiro semestre. As 250 pessoas presentes não só aprenderam, em uma conversa dinâmica e divertida, sobre o tema “Atitude de campeão”, como trocaram experiências muito gratificantes. “O evento superou minhas expectativas,” diz Sérgio Bernardello, pai de três alunos do Ábaco. “Aprendi novas maneiras de incentivar meus filhos em suas decisões e escolhas”.
A relação de Gustavo Borges com o Ábaco é bem mais estreita do que a de palestrante. O atleta desenvolveu, em parceria com o professor William Urizzi de Lima, ex-técnico da seleção brasileira, uma metodologia de padronização de todos os processos do ensino da natação que pode ser aplicada em academias, clubes e escolas. Desde julho de 2006, o Colégio Ábaco é uma das instituições que adotou o método. “O colégio é um parceiro nosso no ensino da natação no ABC e um momento como esse, de explicar um pouco sobre a metodologia que criamos e contar da minha carreira, é importante para todos”, diz Borges.
Em entrevista exclusiva concedida à equipe de Jornalismo do Ábaco durante o evento, Gustavo Borges fala sobre a carreira e a importância do bom relacionamento de pais e filhos na prática esportiva:
A metodologia de Natação Gustavo Borges tem lhe proporcionado tantas emoções e realizações quanto às sentidas no período em que você nadava?
Tem sim. É um pouco diferente porque na natação você trabalha durante um período e tem as competições a curto, médio e longo prazo. Então, como atleta, vivi um ciclo com competições, medalhas, um resultado quase que instantâneo. Já a metodologia é um processo contínuo de ensino em que, como empresário, acompanho o crescimento, ao longo dos anos. Minha empresa ainda é muito jovem nesse processo. Por isso, de tempos em tempos, paramos para analisar e comemorar os resultados.
O que esse projeto significou em termos de mudanças na sua vida?
Significou muito. Eu saí de um meio profissional do esporte para uma parte totalmente voltada ao lado empresarial, de tocar um negócio, de fazer uma coisa que eu gostasse assim como eu gostava de nadar. E foi diferente, foi difícil, é um novo ciclo de vida com a metodologia, com as academias e tudo mais. Mas eu fico feliz de ter achado uma coisa ainda relativa à água que possa me dar tanta satisfação quanto à piscina.
Qual a principal atitude de um campeão?
A gente não pode confundir o campeão só com a medalha de ouro. A principal atitude de um campeão é saber o que quer e, acima de tudo, trabalhar duro, buscando sempre os melhores resultados e superando os seus limites para conseguir chegar no seu sonho. Essa eu acho que é a maior lição, é um aspecto comportamental: temos que ver o campeão como aquela meta que a gente alcança e supera.
Olhando pra sua vida, qual das suas vitórias você considera a mais importante?
Eu tive várias, já que as quatro medalhas olímpicas foram muito emocionantes. Mas eu tenho duas medalhas que foram realmente as mais interessantes: uma delas foi a primeira medalha de ouro do pan-americano nos 100 metros nado livre, em 1991. E a segunda é a medalha olímpica de prata de Atlanta, em 1996. Eu me senti muito mal naquela manhã e à tarde. Mesmo assim, não desisti: descansei, fui para final e consegui uma medalha de prata. Foi uma vitória de superação muito gostosa.
Qual conselho você daria aos pais na relação dos seus filhos com o esporte?
Acho que o segredo está no aspecto disciplinar. Como eu sou pai, tento fazer um pouco disso com os meus filhos: dar apoio e ser um exemplo, tentando mostrar a direção correta do caminho da vida. Trata-se de um processo que deve ser feito em parceria com os filhos.