De acordo com a Fundação Nestlé Brasil, o objetivo é contribuir com o desenvolvimento de uma nova geração de leitores que se apropriem da leitura não apenas como uma obrigação, mas como um desafio prazeroso. Em 2007, os alunos foram orientados a produzir, em equipe, um texto de linguagem, tipo e gênero livres, a partir do tema “Ler, Pensar, Criar: Viajar pela literatura faz bem”. A Fundação Nestlé enviou para cada escola um kit de apoio pedagógico com livros e CD´s indicados para a proposta e um caderno com várias oficinas de leituras. “Essas oficinas servem para o aluno se desinibir com o grupo. Neste ano, as dinâmicas estavam bastante focadas no resgate de memórias da infância, da família, da escola e dos amigos sob os aspectos racional e emocional”, diz Meire Matulaitis, professora de redação do Ensino Médio. As 30 equipes finalistas ganharão prêmios livros, medalhas, troféus e até prêmios em dinheiro.
Os livros indicados como referências pela organização do concurso foram “23 histórias de um viajante”, de Marina Colassanti, e “Olho de vidro do meu avô”, de Bartolomeu Campos de Queirós. O concurso é dividido em duas categorias: 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio. A seleção dos participantes mereceu um cuidado bastante especial da coordenação pedagógica do Ábaco: as equipes poderiam ser formadas por, no máximo, 10 alunos.
A equipe do 9° ano produziu “O último instante”, narração sobre um marinheiro que faz uma reflexão sobre a vida antes de sua última viagem. Até chegar ao texto final, foram produzidas quatro versões durante dos seis encontros semanais de duas horas e meia cada um. A turma é formada ainda por Amanda Angelini, Gabriele de Oliveira, Melissa Otani, Vítor Brumatti, Bruna Dias, Pâmela Camarano, Débora Bartasevicius, Maiara Prado, Luíza de Nardi e Priscila Testa.
A equipe do Ensino Médio também escolheu o gênero narrativo para o concurso. “Produzir um texto narrativo nos ajuda a sair do mundo da racionalidade e viajar por um mundo de possibilidades e escolhas muito interessante”, diz Deborah Lopes, do 2° C. Em “Omar do Mangue”, um carangueijo resolve ir para o mar para tentar descobrir as belezas de um mundo desconhecido onde havia uma sereia, paixão que ele cultivava e tinha como única referência o canto. Omar conta com os conselhos de um velho pescador para tomar sua decisão, usando a razão ou a emoção. Também fazem parte da equipe do Ensino Médio Juliana Modena e Leo Misleh (1°A), Guilherme Gonçalves e Igor dos Santos (1°D), Carolina Fiori e (2°C) e Gabriela Sá Pessoa (2°D).
Os textos serão avaliados por um júri de três profissionais de literatura e educação nomeados pela Fundação Nestlé Brasil que vão selecionar 30 textos semi-finalistas, cinco de cada região do país. As professoras Meire e Camila ficaram satisfeitas com os textos produzidos e estão confiantes. “Eles conseguiram trabalhar com a linguagem de maneira madura e cativante”, diz Camila. “Sempre preferi escrever dissertações, mas com o projeto, descobri que uma facilidade e um prazer maior com o estilo narrativo, que nos dá maior liberdade de criação”, comenta Bruno. “Os alunos trocam um pouco a tela e o teclado do computador pelo contato direto com o livro e o papel, que são as bases da nossa cultura ao lado da oralidade por meio da troca de experiências. A sensação, para eles e para nós, é sempre de um fim com gostinho de quero mais”, define Meire. “O envolvimento dos alunos mostra que eles não só melhoram a habilidade de redação, mas como seres humanos”, diz Inês Previato, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental.
